"As empresas já perceberam que os recursos humanos são a matéria mais importante para vencer os problemas económicos e enfrentar competitivamente as adversidades generalizadas que se vivem no momento. Por isso, mesmo em cenário adverso, em 2011 há empresas portuguesas e estrangeiras que prometem desafiar a crise e gerar trabalho.
A conjuntura económica global não é animadora, mas apesar disso uma percentagem significativa das empresas, em Portugal e no estrangeiro, manifestam intenção de desafiar a crise e aumentar o seu número de colaboradores durante 2011. Segundo Mark Dixon, diretor executivo da consultora Regus, “este poderá ser um dos primeiros sinais de que a recuperação económica global e o crescimento estão numa trajetória sustentável e ascendente”. Os mais otimistas acreditam que esta onda de recuperação pode passar também por Portugal.
Mais de um terço das dez mil empresas de todo o mundo entrevistadas pela consultora Regus no seu inquérito bianual, Regus Business Tracker , assumem a intenção de contratar mais pessoal durante o próximo ano. Uma percentagem de 36% que ultrapassa em três pontos percentuais a vontade manifestada pelas empresas portuguesas onde a intenção de fazer crescer os seus quadros de pessoal se fica pelos 33%. Ainda assim, para Mark Dixon, “estas percentagens e a intenção de crescimento das empresas são particularmente significativos no seguimento das recentes observações do Fundo Monetário Internacional e da Organização Internacional do Trabalho, segundo os quais o desemprego a nível mundial atingiu proporções record nos últimos três anos (210 milhões desde 2007)”.
...
O especialista refere que “o facto de as organizações pretenderem contratar mais profissionais pode ser encarado como um indicador significativo de que a mentalidade das empresas começou a orientar-se para o investimento no crescimento através do capital humano”. Uma mudança positiva que espelha países mais otimistas do que há seis meses, altura em que foram divulgados os resultados do anterior relatório.
Mark Dixon diz ser claro e evidente que “a intenção de aumentar o número de colaboradores é um indicador claro de que as empresas querem estar preparadas para agarrar as oportunidades que os mercados em recuperação podem pôr à sua disposição”. ...
....
Segundo Ana Teixeira, Country Manager da MRINetwork Portugal, a maior parte das empresas inquiridas (57%) manifesta cautela e aposta sobretudo em não perder os colaboradores que tem, sendo que apenas 12% prevê despedir até ao final do ano (metade da percentagem apurada em igual período de 2009). São sobretudo as empresas com um número de trabalhadores entre 500 e mil as que maiores perspetivas de recrutamento têm e em média preveem crescer cerca de 5% no número de colaboradores, deixando de lado as ameaças da crise.
As funções técnicas poderão ser as que mais oportunidades terão de recrutamento e, curiosamente, os perfis seniores parecem ter grande procura com 62% das empresas a manifestar interesse por perfis seniores e mais experientes. Os recém-licenciados reunirão apenas 3% da procura por parte das organizações. Resultados que levam Ana Teixeira a concluir que “apesar do período difícil que o país atravessa, considero digna de realce a tendência predominante, sobretudo nas empresas com dimensão de maior relevo no tecido empresarial português, ou seja, as pequenas e médias empresas até 250 colaboradores, para manter o número de efetivos”. ...
Para ambos os especialistas, a vontade das empresas em reduzir custos é permanente, o alvo dos cortes é que não parecem ser os recursos humanos. Numa altura em que muitas organizações já reconheceram que as pessoas são a matéria mais importante para vencer a crise, há que poupar noutras frentes e por isso, é de prever que cada vez mais empresas e organismos invistam em proporcionar aos seus colaboradores métodos de trabalho mais flexíveis que permitam um maior equilíbrio entre o trabalho e a vida quotidiana, gerindo uma organização mais simplificada e com menores custos associados.
in Jornal Expresso - 05.11.2010